O conceito da SEDE nasceu de um comportamento: para muitos homens, cortar o cabelo é quase um compromisso semanal. Existe o barbeiro de confiança, a conversa, o encontro com alguém conhecido e, às vezes, a vontade de ficar mesmo depois que o corte termina.
Pensei em um público jovem, dos 21 aos 30 e poucos anos, que poderia encontrar nesse ritual uma oportunidade de convivência. Um lugar para cortar o cabelo, tomar uma cerveja ou um café, conversar com amigos, trabalhar e fazer conexões profissionais.
O desafio era transformar esse comportamento em uma proposta de marca e de negócio: como diferenciar uma barbearia em um mercado cheio de opções e criar oportunidades para aumentar o ticket médio?
O ritual já existia. Faltava um lugar.
A SEDE nasce para quem prefere chegar antes do horário, pedir alguma coisa, sentar, conversar e ficar depois que o corte termina.
A cadeira é só uma parte da experiência.
A ideia era criar uma barbearia da qual as pessoas não quisessem sair imediatamente. Um espaço que transformasse a espera em parte do programa e oferecesse motivos para permanecer.
Isso também abre espaço para quem quer sair da rotina: cortar o cabelo e depois sentar no quintal, abrir o computador, trabalhar ou continuar conversando.
Chegar, sentar, pedir, resenhar, cortar e ficar. Na SEDE, a experiência começa antes da cadeira e continua depois dela.
Barbearia, bar e quintal
O conceito se organiza em três espaços que se complementam:
- A barbearia: o ritual, o serviço e a relação com o barbeiro.
- O bar e café: o acompanhamento, o pedido e os pequenos momentos de pausa.
- O quintal: o lugar da convivência, onde a SEDE acontece para além do corte.
A proposta coloca a barbearia dentro de um container, acompanhada por um bar e um quintal feito para ficar.
Quatro ideias orientam essa construção: ritual no serviço, resenha no ambiente, liberdade para ficar e pertencimento para voltar.
Por que SEDE?
O nome descreve o papel que a marca pretende ocupar na rotina de quem frequenta o espaço.
A intenção era mudar a conversa de “vou cortar o cabelo” para “vou passar na SEDE”.
SEDE carrega a ideia de base, ponto de encontro e lugar de uma comunidade. É um nome que permite à marca ser lembrada pelo conjunto da experiência.
A frase que resume essa proposta é:
Chega cedo, fica depois. O horário pode estar marcado. A hora de ir embora, não.
Uma comunicação que chama para a conversa
A linguagem da SEDE é direta, curta, espontânea e segura. Fala como quem chama um amigo para sentar e tomar uma cerveja.
Evitei os clichês recorrentes do universo das barbearias: discursos sobre “homem de verdade”, cavalheiros, reis ou vikings.
A personalidade da marca está na convivência e na confiança. Sua comunicação precisava soar natural para quem já faz parte daquela conversa.
Industrial brasileiro, vivido
O universo visual nasce do encontro entre materiais industriais e a informalidade brasileira.
Container, madeira, metal, lona, copo gelado, café passado, fumaça e fim de tarde ajudam a construir essa atmosfera. Nada excessivamente polido, mas tudo intencional.
A paleta é quente, terrosa e urbana, inspirada nos materiais e na luz que fazem parte da experiência imaginada para o espaço.
A identidade precisava ter presença e, ao mesmo tempo, parecer à vontade naquele ambiente.

Uma navalha com assinatura própria
O símbolo parte de um ícone clássico da barbearia: a navalha.
Para dar a ela uma identidade própria, integrei o S da SEDE à forma da lâmina, substituindo os recortes internos tradicionais por um desenho exclusivo.
O resultado conecta a marca ao universo do corte e funciona como uma assinatura visual simples e reconhecível.
A navalha reúne ideias importantes para o projeto: tradição reinterpretada, precisão, ritual, estilo e masculinidade contemporânea.
Uma marca construída para ser usada
A identidade da SEDE aparece em selos, números, horários, frases, carimbos e sinalizações. Esses elementos ajudam a construir a sensação de um lugar com história, hábitos e códigos próprios.
Esse pensamento também orienta o SEDE Crew: bonés, camisetas e aventais que levam o espírito da marca para a equipe.
As peças foram pensadas para que os frequentadores também pudessem usá-las no cotidiano. Vestir a SEDE seria uma forma de demonstrar identificação e levar seu universo para além do espaço físico.
Momentos, não poses
A direção fotográfica foi pensada para registrar a vida acontecendo.
Mãos, copos, máquinas, cadeiras, madeira, fumaça e fragmentos de conversas compõem esse olhar. O corte aparece, mas a vida ao redor dele tem tanta importância quanto o serviço.
Também quis preservar certa discrição sobre quem frequenta o espaço. Enquadramentos de detalhes e momentos sugerem intimidade e pertencimento, com uma atmosfera de clube reservado.
A fotografia convida a conhecer o ambiente sem transformar cada frequentador em protagonista de uma pose.
O espaço precisa parecer uma SEDE
O ambiente físico é uma extensão da identidade. Precisava traduzir o ritual, a convivência e a vontade de permanecer.
Por isso, desenvolvi no projeto uma planta conceitual, para tornar mais clara a relação entre barbearia, bar e quintal e mostrar como a experiência poderia funcionar.
O espaço faz parte da proposta de negócio: cria condições para diferentes usos, encontros e momentos de consumo ao longo da visita.

O conteúdo acontece ali
A estratégia de conteúdo acompanha o que o próprio lugar oferece, organizada em quatro pilares:
- THE CUT: cortes, barbeiros, detalhes e transformações.
- THE YARD: quintal, pessoas, rotina, resenha, cerveja e amigos.
- THE BAR: café, cerveja, drinks e pequenos rituais.
- SEDE LIFE: música, eventos, futebol, collabs e a cultura ao redor da marca.
A proposta é registrar uma experiência que tem assunto antes, durante e depois do corte.
Minha participação
Desenvolvi o naming, o conceito, o branding, a identidade visual e a proposta de modelo de negócio da SEDE.
O projeto também reúne linguagem verbal, direção fotográfica, estratégia de conteúdo, aplicações da marca, vestuário e uma planta conceitual do espaço.
Tudo parte do mesmo objetivo: criar um diferencial para a barbearia, ampliar as possibilidades de consumo e oferecer motivos para chegar antes, ficar depois e voltar.
A SEDE é o que acontece entre uma coisa e outra.
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